Fechar

PT - PT


Please select a country and, if applicable, a language.

Voltar à página de visão geral
País:Portugal
Idioma:português

Macrogol 4000: automedicação baseada em evidências para a obstipação funcional 


EFSM: 2021;1:210318DOI: 10.52778/efsm.21.0318Data de publicação: 12.10.2021
Marion Eberlin e Sabine Landes

Os preparados de macrogol são um dos tratamentos de primeira linha para a obstipação em crianças e adultos. Uma revisão confirmou a eficácia e a tolerabilidade de macrogol 4000 em comparação com preparados de lactulose e macrogol com adição de eletrólitos. O laxante osmótico é também uma boa recomendação em termos farmacoeconómicos.

Preparados de macrogol: terapia de primeira linha em automedicação baseada em evidências

Macrogol 4000 consiste numa mistura de polietilenoglicol não-absorvível (PEG) com um peso molecular médio de 4000 Da. A ação baseia-se num princípio físico: Macrogol 4000 é tomado por via oral com água. Desta forma, as moléculas de água ligam-se logo ao polímero antes de entrarem no intestino. Ao chegar ao intestino, o volume das fezes aumenta e a sua consistência torna-se mais macia. Isto estimula e facilita o processo de defecação. 

Não há perda de eficácia com utilização a longo prazo (sem habituação) e não ocorrem perturbações relevantes nos eletrólitos nem alterações relevantes no microbioma intestinal [1]. Tendo em conta as recomendações, macrogol 4000 também pode ser usado em grupos específicos de doentes (tab. 1).

Tab. 1. Resumo da utilização de macrogol 4000 em grupos específicos de doentes [1]

Grupos específicos de doentesRecomendações de utilização
Grávidas e lactantesMacrogol 4000 pode ser usado, dado que a absorção de macrogol 4000 é negligenciável. Recomenda-se a consulta de um médico.
Doentes com uma dieta pobre em sódioDeve dar-se preferência a formulações de macrogol sem eletrólitos.
Diabéticos, doentes com intolerância à frutose A utilização de preparados aromatizados não é aconselhada devido ao potencial teor de sacarose e/ou sorbitol.

 

Macrogol com ou sem eletrólitos adicionados

Comparável em eficácia e tolerabilidade

Uma meta-análise de rede comparou a eficácia relativa de macrogol 3350/4000 ± eletrólitos no tratamento da obstipação funcional em 1032 adultos [3]. Os preparados de macrogol com e sem eletrólitos foram comparativamente eficazes no que se refere ao aumento da frequência semanal das fezes em relação ao placebo [aumento de 1,8 (95% IC 1,0-2,8) e 1,9 (95% IC 0,9-3,0) movimentos intestinais/semana]. Além disso, a análise não mostrou qualquer diferença entre macrogol ± eletrólitos em termos de segurança e tolerabilidade.

A formulação sem eletrólitos melhora a aceitação do doente

Num estudo comparativo em 91 crianças, a frequência das fezes com macrogol 4000 foi significativamente melhor em comparação com macrogol 3350 + eletrólitos (p = 0,025). Não houve diferenças significativas entre os grupos relativamente a outros critérios. De notar que a formulação macrogol 4000 foi significativamente mais bem aceite pelas crianças do que a formulação eletrolítica (p < 0,001) [2].

Macrogol em comparação com lactulose

Uma meta-análise de 10 estudos clínicos aleatórios com um total de 868 participantes com idades compreendidas entre os 3 meses e 70 anos comparando os efeitos do macrogol e da lactulose na obstipação crónica Os preparados de macrogol aumentaram a frequência semanal das fezes, amoleceram a sua consistência, aliviaram a dor abdominal e reduziram a necessidade de laxantes adicionais de forma mais significativa do que a lactulose. Além disso, a sua utilização está tipicamente associada a menos vómitos e flatulência, uma vez que, em comparação com a lactulose, o macrogol não é fermentado por bactérias intestinais com o concomitante desenvolvimento de gases. Sendo um laxante barato e eficaz a longo prazo com uma elevada segurança terapêutica, o macrogol é uma alternativa interessante à lactulose, mesmo em termos farmacoeconómicos [5].

Resumo

A eficácia do macrogol 4000 para o tratamento da obstipação funcional está bem estabelecida e bem provada. Segundo o autor da revisão, a adição de eletrólitos não influencia a eficácia nem melhora a tolerabilidade ou a segurança, uma vez que não há perda de eletrólitos com o tratamento com macrogol 4000. Os doentes afirmam preferir o sabor do preparado sem eletrólitos, o que pode melhorar a adesão e, consequentemente, a eficácia, especialmente em crianças e idosos.

Relativamente à comparação entre macrogol 4000 e lactulose, o autor considerou o macrogol mais eficaz do que a lactulose no aumento da frequência das fezes e na melhoria da sua consistência, bem como noutros resultados relacionados com a obstipação. Além disso, o tratamento com macrogol é tipicamente muito bem tolerado, com menos vómitos e flatulência em comparação com a lactulose, uma vez que os polietilenoglicóis biologicamente inertes não são fermentados por bactérias intestinais.

Bibliografia

  1. Lyseng-Williamson KA. Macrogol (polyethylene glycol) 4000 without electrolytes in the symptomatic treatment of chronic constipation: a profile of its use. Drugs & Therapy Perspectives 2018;34:300–310. doi: 10.1007/s40267-018-0532-0.
  2. Savino F, et al. Efficacy and tolerability of peg-only laxative on faecal impaction and chronic constipation in children. A controlled double-blind randomized study vs a standard peg-electrolyte laxative. BMC Pediatr. 2012;12:178. doi: 10.1186/1471-2431-12-178.
  3. Katelaris P, et al. Comparison of the effectiveness of polyethylene glycol with and without electrolytes in constipation: a systematic review and network meta-analysis. BMC Gastroenterol. 2016;16:42. doi: 10.1186/s12876-016-0457-9.
  4. Lee-Robichaud H, et al. Lactulose versus polyethylene glycol for chronic constipation. Cochrane Database Syst Rev. 2010;(7):CD007570. doi: 10.1002/14651858.CD007570.pub2.
  5. Guest J, et al. Cost-effectiveness of macrogol 4000 compared to lactulose in the treatment of chronic functional constipation in the UK. Curr Med Res Opin. 2008;24(7):1841–52. doi: 10.1185/03007990802102349. Epub 2008 May 27.

Conflito de interesses:M. Eberlin e S. Landes são funcionários da Sanofi.

Divulgação: Texto e publicação médica financiados por Sanofi Aventis Deutschland GmbH.

Empresa/Correspondência: Marion Eberlin, PhD, Consumer Healthcare Medical Affairs, Sanofi-Aventis Deutschland GmbH, Industriepark Hoechst, 65026 Frankfurt am Main, Germany e Sabine Landes, PhD, Sanofi-Aventis Deutschland GmbH, Frankfurt am Main, Germany
Data de entrega: 12.07.2021Data de aprovação: 20.09.2021Data de publicação: 12.10.2021
Voltar à página de visão geral
Subscreva agora a nossa newsletter gratuita.

Com ela estará sempre a par das nossas publicações.